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Desenvolvimento e Manutenção
Anemia Ferropriva como Fator de Risco ao Desenvolvimento de Crianças entre 0 e 6 Anos

Resumo:

A anemia nutricional mais comum é a ferropriva (anemia por deficiência de ferro), que constitui o problema nutricional de maior magnitude no mundo, sendo as crianças menores de seis anos um dos grupos populacionais de maior risco.

Palavras-chave: Anemia, Ferropriva, Crianças.

1. Introdução:

A carência de ferro é a deficiência nutricional mais comum em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, constituindo um problema importante de saúde pública no Brasil e no mundo. As anemias por carência de ferro resultam de uma disparidade entre a disponibilidade e a demanda do nutriente. É uma manifestação tardia e insidiosa da carência, que surge quando as reservas orgânicas esgotam-se em virtude do balanço negativo. O tempo necessário para que a carência se manifeste na forma de anemia depende de numerosos fatores, os mais importantes são a magnitude dos depósitos e o grau de desequilíbrio.

 

2. Desenvolvimento:

O ferro, como cerne da molécula de hemoglobina responsável pela capacidade de transporte de oxigênio do sangue, é o elemento mais precioso existente no organismo. A quantidade necessária de ferro para síntese diária da hemoglobina é garantida por um sistema eficiente de conservação e reciclagem desse valioso elemento. Existem “depósitos” de ferro (na forma de ferritina e hemossiderina) nas células reticuloendoteliais do fígado, do baço e da medula óssea, bem como nas células parenquimatosas do fígado. Essas reservas sofrem depleção, antes que ocorra qualquer restrição na síntese da hemoglobina. Por conseguinte, a anemia ferropriva constitui o desenvolvimento temporal final na cronologia da deficiência progressiva de ferro no organismo. Como essa anemia não se desenvolve, até haver a mobilização das reservas de ferro, para manter massa de hemoglobina ótima, a ausência de reservas de ferro no exame de medula óssea confirma especificamente a contribuição da deficiência de ferro para desenvolvimento de qualquer anemia. Como as necessidades de ferro corporal estão relacionadas às diversas etapas da vida, o grau de absorção intestinal de ferro também está vinculado à faixa etária. As necessidades diárias de ferro são pequenas e variam conforme a fase da vida. Mesmo antes de suas manifestações hematológicas, a anemia provoca um acometimento sistêmico com repercussões na imunidade e resistência a infecções, na capacidade para o trabalho e no desenvolvimento neuropsicomotor. O resultado indesejável da deficiência de ferro na infância poderá repercutir negativamente no desenvolvimento escolar e, tardiamente, na inserção do indivíduo no mercado. De modo geral, a anemia instala-se em conseqüência de perdas sanguíneas e/ou por deficiência prolongada da ingestão de ferro alimentar, como crianças e adolescentes que apresentam acentuada velocidade de crescimento. Além disso, a gestação e lactação também são períodos de maior demanda de ferro. As causas de anemia ferropriva e deficiência de ferro podem ter início ainda no período intra uterino. As reservas fisiológicas de ferro são formadas no último trimestre de gestação e, juntamente com o ferro proveniente do leite materno, sustentam a demanda do lactente até o sexto mês de vida. Na primeira infância, o problema agrava-se em decorrência de erros alimentares, principalmente no período de desmame, quando o leite materno é substituído pelos alimentos pobres em ferro. A anemia ferropriva afeta 43% dos pré-escolares em todo o mundo, principalmente nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A melhor arma para sua prevenção é, sem dúvida, uma alimentação bem variada e rica em alimentos que naturalmente possuam ferro e os enriquecidos ou fortificados com o nutriente. As melhores fontes naturais de ferro são os alimentos de origem animal – fígado e carne de qualquer animal – por possuírem um tipo de ferro que é melhor aproveitado pelo nosso organismo. Entre os alimentos de origem vegetal, destacam-se as leguminosas (feijão, grão-de-bico, fava, lentilha, ervilha), os grãos integrais ou enriquecidos, nozes, castanhas, rapadura, açúcar mascavo e as hortaliças (couve, agrião, taioba, salsa). Existem também disponíveis no mercado alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, entre outros. Para uma melhor absorção do ferro presente nesses alimentos é recomendado o consumo de alimentos com alto teor de vitamina C como a acerola, abacaxi, goiaba, kiwi, laranja, limão, pimentão, repolho e tomate, na mesma refeição. O consumo de alguns alimentos deve ser evitado na mesma refeição ou logo após, como o chá, café, pois atrapalham a absorção do ferro.

 

3. Considerações Finais:

Podemos concluir que a anemia ferropriva, constitui um importante problema de saúde pública de países desenvolvidos ou subdesenvolvidos por ser uma patologia fácil de adquirir desde que os programas de saúde pública não atentem para esta patologia. Programas de prevenção que visam buscar casos em que a anemia ainda está em processo de instalação, assim como o projeto desenvolvido pela FQM (Faculdade de Quatro Marcos) constituem mecanismos importantes tanto na prevenção da anemia como na economia de cidades e estados, evitando consultas e internações na rede pública de saúde, pois como vimos, a anemia depois de instalada enfraquece o sistema imunológico favorecendo o aparecimento de outras patologias. O Programa de Saúde da Família (PSF) foi programa criado pelo governo com o intuito de trabalhar a medicina preventiva, mas os resultados mostram que ainda falta muita dedicação para que o mesmo cumpra com o que se espera dele.

 

4. Bibliografia

GOLDMAN, L. BENNETT, C. Cecil Tratado de Medicina Interna; Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A. 21ª Ed. Vol.1; 2001.

PORTO, C. C., PORTO, A. L., Vademecum de Clínica Médica; Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2ª Ed. Vol.1, 2007.

ZAGO, M. A., FALCÃO, R. P., PASQUINI, R. Hematologia Fundamentos e Práticas; São Paulo: Editora Atheneu, 2001.



(28/07/2010) Neide Moron